ASSOCIAÇÃO VIDA INTEIRA

Fundada em 24 de Fevereiro de 2005, com a aquisição da Chácara 51B, na Quinta das Águas Bonitas, em Águas Lindas de Goiás, entorno de Brasília-DF. Esta é uma região muito carente, sem nenhuma opção educacional extra, sem nenhuma opção de lazer, sem a devida assistência médica e até mesmo de difícil acesso na época das chuvas. No dia 26 de Outubro de 2005, a Associação foi Registrada no Cartório de Pessoas Jurídicas, e posteriormente teve o seu Registro na Receita Federal.

O objetivo da aquisição do imóvel era fundar uma Associação que tivesse como finalidade a promoção da prática da caridade espiritual, moral e material por todos os meios disponíveis, em benefício de todos, sem distinção de pessoas, raça, cor, posição social e religião; a realização de serviço de assistência social de modo geral, realizando projetos educacionais e de amparo a crianças, jovens e adultos; desenvolver projetos culturais objetivando o desenvolvimento cultural e social da comunidade em geral; desenvolver projetos auto-sustentáveis que envolvam a comunidade em geral; e proporcionar ações positivas e preventivas de saúde comunitária.

sábado, novembro 26, 2011

Novo blog

Amigos, estamos migrando o nosso blog para associacaovidainteira.wordpress.com
Em breve este será desativado e todas as novidades e atividades da Associação irão estar no novo blog.
Siga-nos e contribua com o serviço comunitário!

segunda-feira, outubro 24, 2011

1º Seminário Internacional.

Em torno de Angola: narrativas, identidades e as conexões Atlânticas

Data: 31 de Outubro a 01 de Novembro de 2011

Local: Auditório do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília


Participem!!

sexta-feira, outubro 21, 2011

Cultuar, oferecer e amar

Esta semana participei de uma mesa redonda com alunos de um curso de Pós Graduação em Ensino Religioso, que teve as participações de um pastor presbiteriano, um bispo católico, um representante do budismo e eu, como sacerdote do candomblé, além do mediador, um Doutor Professor da Universidade de Brasília, que por sinal é um dos baluartes defensor de um estudo e ensino da cultura religiosa e das religiões, sempre sob uma perspectiva de igualdade e respeito pelas diferenças e semelhanças, sem emissão de juízo e de valoração entre uma e outra.
Após as falas de todos nós que fazíamos parte da mesa, foi aberto para plenária se manifestar, perguntar, e relatar experiência de sucesso no ensino religioso.
A primeira pergunta foi para mim, como sacerdote do candomblé, e trouxe o questionamento preferido por aqueles que não conhecem nossa religião nem as bases teológicas e suas cosmogonias, que é o “sacrifício” de animais.
Explicitei que na nossa concepção toda a vida é originária de Nzambi/Olorum – Deus, fonte única de todas as coisas e consciência universal manifestada nas mais diversas formas. Que todo o nosso culto gira em torno do alimento, e que o princípio, é a segurança alimentar, ou seja, enquanto oferecemos uma forma de vida animal no altar divino, fazemos isto com respeito, orações, justificações e agradecimentos tanto ao Autor da vida – Deus, como à própria forma de vida animal ali imolado.
Nesta concepção, a vida volta à sua fonte e o corpo material serve de alimento para a comunidade, garantido assim, tanto o culto sagrado, como a convivência e perpetuação da comunidade.
Após as explicações o bispo católico pediu a palavra e leu uma parte das escrituras sagradas cristãs, que relata que ao ser apresentado no templo, Jesus passara pelo ritual onde um casal de pombos fora sacrificado. Desenvolve o discurso no sentido de a Bíblia traz toda uma ritualística de imolação de animais e que Jesus, havia se oferecido espontaneamente para ser o sacrifício perfeito e que isso teria abolido a oferenda animal. Acrescentou que cada pessoa está num estágio, sugerindo que quem se encontrava neste estágio religioso de oferecer os animais ritualisticamente, ou comesse carne, estaria em um estágio inferior. Ou seja, fez uma valoração teológica de superioridade de uma religião diante de outras.
Pedi de novo a palavra e falei que estávamos ali nos colocando numa perspectiva de formar opiniões de educadores que atuariam no ensino religioso, então o princípio básico era a não afirmação de uma ou de outra tradição, em detrimento de outras, mas em defesa da diversidade cultural e religiosa e a garantia de que todos fossem realmente iguais, independente da fé que professassem.
Na questão teológica em discussão acrescentei que só se pode fazer valoração emitindo juízo de superioridade ou inferioridade (se é que se pode fazer isto nas questões religiosas, pois o âmbito da fé é muito pessoal) em sistemas teológicos semelhantes ou que tenham a mesma origem. Essa valoração foi feita, por exemplo, pelos sucessores da mensagem cristã após a morte do fundador do cristianismo, quando o apóstolo Paulo fala que “quem não come carne não discrimine quem come”. Mas em sistemas teológicos distintos isso não era permitido e era até mesmo inadmissível, pois o candomblé, por exemplo, encontra-se no bloco de religiões classificadas como religiões naturais e ancestrais, e que não tem um dos princípios básicos do cristianismo, que é uma religião messiânica de salvação, que implica, automaticamente na admissão da condenação eterna (a idéia de salvação só se justifica quando se admite uma condenação).
Na concepção cosmogonia e teológica do candomblé não se visualiza esta figura de salvação ou condenação eterna, por isso não temos um salvador. Concebemos Deus como a consciência suprema do Uno, que se manifesta no verso (Universo), através das criaturas (todas elas), e através de divindades (consciências divinas). Ou seja, as divindades, nesta concepção, não são Deuses em um sistema politeísta ou monoteísta disfarçado (nada contra os sistemas religiosos politeístas ou monoteístas), mas são manifestações da consciência divina. Se a guerra bate em nossa porta, Deus é guerreiro para nos defender e restabelecer a paz, embora no que depender de nós, temos paz entre todos; se precisamos de carinho e amor, Deus se torna mãe carinhosa; se precisamos de encanto Deus é a mulher faceira e encantadora ou o homem irresistível; e se precisamos de alimentos, Deus é o caçador que nos ensina a caçar, a cultivar a terra, a plantar e colher os grãos e a domesticar os animais para nosso alimento. Mas de tudo isso, antes de nos servimos, devemos oferecer o melhor de tudo a Deus. Não que Ele precise, mas nós precisamos sempre nos lembrar que dependemos Dele e de suas Manifestações (Nkisi/Orixá/Vodum/Encantados e até ancestrais) e isso nos eleva espiritualmente para mais próximo da sua consciência e dos nossos ancestrais e divindades.
Falei que o termo sacrifício não é o mais apropriado, nosso conceito é de oferenda mesmo, mas temos a limitação das palavras. Oferecemos a vida animal, vegetal e mineral e que tudo, até mesmo uma flor colocada em um altar é, de certo modo, um sacrifício. Uma fruta, uma folha colhida, uma pedra retirada do seu local natural, etc., tudo é uma forma de sacrificar aquela existência para ser oferecida para a divindade.
A vida animal oferecida é vista como um ser que nasceu naquele caminho e com aquele destino, para “perder” a existência (a vida nunca morre, embora o vivo pereça), em um culto sagrado. Assim concebemos um mundo melhor e uma evolução espiritual para o animal que passou deste mundo para as paragens espirituais, no culto de louvor a Deus.
Não podemos esquecer que em alguns casos o animal é ligado à imagem da própria divindade e comê-lo é também uma forma de se apropriar e se unir a Deus, já que Ele está em mim como animal humano, nas outras formas de animal, no vegetal, no mineral e em todas as coisas.
Por outro lado vemos que este argumento sobre o culto com animais se justifica nas sociedades carnívoras como a nossa. É mais sagrado e faz mais sentido para nós comermos e oferecermos ao povo a carne que foi sacralizada, respeitada e justificada diante de Deus, do que comprar no supermercado a carne que nem sabemos como aquele irmão animal foi morto (até porque não oferecemos animais doentes, já os que compramos, nem sempre tem esta garantia).
Mas não podemos nos esquecer do desafio que bate em nossa porta: o número de pessoas vegetarianas cresce a cada dia. Por vários motivos. Seja por achar que comer carne é um desrespeito com a vida animal, seja porque entender que produzir carne consome muito dos recursos naturais do planeta, como água e florestas, além de produzir muito gás carbônico (Co2), ou por costume ou modismo, ou até por não gostar do sabor da carne. Seja qual for o motivo, nossas casas já são freqüentadas sim por pessoas vegetarianas. E ai, como justificar somente pela segurança alimentar o sacrifício de animal?
Porque se somos carnívoros, faz todo o sentido oferecermos a Deus a vida do animal que vai nos servir de alimento e que vai voltar para Deus na forma de vida deixando o seu corpo como comida para muita gente. Mas e se somos vegetarianos?
As manifestações divinas só se individualizam (manifestam) diante dos ritos com oferendas animais? Um Orixá/Nkisi/Vodum ou encantado nunca poderiam ser “feitos” na cabeça de um filho se não tivermos a menga/ejè (sangue) animal? Se o ritual foi todo completo, mas faltou a menga/ejè, a iniciação não pode ser considerada legítima?
Veja que a discussão agora não é comparativa pela superioridade desta ou daquela religião, só porque uma sacrifica e outra não. Não é a oferenda de animais que nos coloca na berlinda e no julgamento pejorativo da sociedade de cultura européia ou cristã. É uma discussão teológica que precisamos enfrentar.
Claro que sabemos que quase a totalidade dos que nos questionam sobre este assunto, são carnívoros, o que, em tese, parece não haver sentido para o espanto e estranheza. Sabemos que este questionamento está mais ligado ao preconceito arraigado nas questões étnico-raciais e históricas, porque praticamos uma religião que nos liga a Deus de maneira pura, sem promessas de condenação ou salvação, mas que é originária da mãe áfrica e trazida por nossos antepassados escravizados. Ninguém pratica o candomblé por medo de não ser salvo, mas para realizar a consciência divina em si mesmo e se realizar espiritualmente de maneira plena e bela. Mas não podemos esquecer que praticamos uma religião negra, no sentido étnico da palavra (como deveria ser sempre, pois a palavra negra, nunca deveria ser ligada a algo ruim ou negativo). Somos filhos espirituais da mãe África.
Estamos agora discutindo uma questão dentro das nossas bases teológicas, sem comparar com outras religiões ou buscar justificativas em outros povos que também oferecem animais aos seus Deuses, para endossar as nossas práticas. Não é porque os Israelitas tinham um culto a Jeová baseados na imolação e holocaustos (sacrifício de animais e queima das partes rituais no altar), ou porque os Cristãos baseiam sua fé num sacrifício humano (mesmo que voluntário, mas que teve valor para Deus, na concepção cristã), ou porque os nossos irmãos Islâmicos sacrificam cordeiros para Alà, ou ainda porque algumas tradições hindus também sacrificam o que justificaria por si só também oferecermos a vida animal a Deus enquanto nos alimentamos da carne como comunhão entre Deus (e suas manifestações), com os humanos, com os outros níveis de via animal e com os ancestrais.
Estas podem indicar origens comuns das tradições religiosas. Mas não nos isenta de termos que pensar teologicamente nossa fé.

E vai chegar a hora que teremos que encarar esta discussão em nossas hostes, porque, independente do motivo, cada vez mais a sociedade humana vai se tornando vegetariana. Então quem é vegetariano não pode ser iniciado no candomblé? E os ritos com oferendas animal, tanto liturgicamente, como literalmente, quando comemos a carne sagrada junto com as manifestações divinas e com a comunidade? A pessoa para se chegar a Deus através da nossa religião terá que violar um princípio pessoal que para ela não se justifica?
É um dilema teológico.
Claro que não estou aqui entrando em questões de tradições e nem estou sugerindo nada. Estou fazendo uma constatação e convocando a todos para uma reflexão teológica.
As reformas religiosas acontecem em todas as grandes tradições. O que não significa que o que vem depois é melhor do que a tradição sucedida. No Brasil temos um caso que muito se aproxima que é a Umbanda, que em muitas casas é praticada como uma reforma e atualização dos cultos africanos, claro que com as influencias inevitáveis e muitas vezes saudáveis espiritualmente e outras nem tanto, de outras tradições religiosas. A Umbanda (quase a totalidade das casas) não pratica oferenda animal, o que não significa, por si só, superioridade. Embora nem sempre defenda o vegetarianismo como modo de vida.
O candomblé, também, já pode ser encarado como uma reforma religiosa, que, embora forçada, aconteceu como forma de resistência, pois, com toda a sua diversidade étnica, cultual, lingüística e religiosa, já é uma (re) construção dos cultos primários praticados na diversidade do continente africano. Esta reforma não significa, como no caso da Umbanda, que os crentes do candomblé são melhores, mais evoluídos ou mais próximos de Deus.
Hoje estamos em uma situação privilegiada, pois podemos ter contato com vários cultos de origem africana, como também com várias outras concepções religiosas presentes em nossa sociedade. Com isto, influenciamos e somos influenciados.
Voltando a questão da carne, é importante frisar que o que é vegetariano, por si só, ou só por isso, não é superior ao carnívoro, ou o que pratica uma religião, seja de salvação, seja natural, seja sapiencial, ou as que se permitem transitar por estes vários conceitos, seja superior ao outro, pelo simples fato de oferecer ou não vida animal
A discussão aqui é outra. É uma questão de sermos legalistas. Como, por exemplo, o cristão quando diz que só Jesus é o filho e a manifestação de Deus e com isto exclui todas as outras manifestações de Deus e todas as outras possibilidades, só porque é assim que ele lê nos livros sagrados que chegaram até ele.
Assim também somos legalistas quando dizemos que quem não passou por isso ou aquilo não pode manifestar a divindade.
Claro que quando falamos em religião institucionalizada, para ser autêntico dentro de uma tradição é necessário que passemos pelos ritos e liturgias daquela tradição. Isto nos dá autoridade dentro de uma determinada linhagem religiosa, mas não nos faz donos de Deus e de suas manifestações (divindades), para estabelecermos quem pode ou não manifestá-los.
Também se sugere que quem não pratica os ritos de uma determinada tradição, não pode ser reconhecida como tal. De certo modo funda-se um novo jeito, uma nova família, uma nova religião, etc. Isto é razoável. Para assegurar que sou Tumba Junsara preciso manter os ritos fiéis aos recebidos pelos meus mais velhos pertencentes a esta família. Posso até ter costumes diferentes, sotaques, ritmos, mas a base teológica tem que permanecer para que seja considerada autêntica no sentido institucional. Senão irei criar outra família.
Sabemos dos mitos e lendas (que neste contexto sagrado deve ser encarado como verdade universal), onde as divindades ensinam aos humanos a oferecer animais no culto, para que assim permanecessem vivas entre nós, mas nem mesmos os mitos e lendas podem nos limitar literalmente. Ao pé da letra nem sempre conseguimos ver a verdade velada e ensinada nos mitos.
Temos que ir além.
Deixar cair o véu e usufruir de todas as possibilidades de plenitude que Deus e suas manifestações (Nzambi Mpungu/Olofim/Olorum e Nkisi/Mukisi, Orixá e Vodun e Encantados) podem nos proporcionar.
Mais uma vez relembro que não é o simples fato de oferecemos animais nos nossos cultos que vai nos fazer autênticos ou verdadeiros ou legítimos diante de Deus. Embora às vezes nos faça diante dos humanos. Mas o que nos legitima é nossa experiência, nossa fé, nossa transcendência e nosso respeito à diversidade das manifestações divinas.
Também não é o simples fato de sermos vegetarianos ou praticarmos uma religião que não tem culto com oferendas animais que nos fará superiores ou melhores do que nossos irmãos e irmãs humanas. A folha, a semente, o fruto, os grãos, também não são vivos?
Só a vida alimenta o vivo. Não tem como fugir dessa realidade da existência.
O que passa disso é convencimento interno que para cada um justifica.
É engano avocar para si a posse do sagrado, baseado em qualquer que seja o motivo externo (incluindo-se aqui os ritos e as liturgias) nos fazendo donos de Deus, e conseqüentemente O limitarmos ao nome pelo qual é conhecido e cultuado por nós.
Para nós do candomblé todos os nomes pelos quais Deus é conhecido são sagrados e não podem ser vilipendiados. Porque Deus está além de qualquer nome pelo qual possa ter se revelado aos ancestrais da humanidade e a nós.

Por isso reafirmo que nossa religião é autêntica, verdadeira e legítima como qualquer outra, independente dos ritos e liturgias que desenvolvemos, já que todos eles se justificam teologicamente e internamente nos fiéis.

Que o fato de oferecermos menga/èjè não significa crueldade com nossos irmãos que nasceram em outras classes animais, nem, tão pouco, desrespeito à vida (já que concebemos que a vida é eterna, só a forma que é passageira), nem nos faz inferiores a outras religiões ou tradições que não mantém o mesmo rito, embora esteja na base do culto dos seus ancestrais.
Somos próximos e realizados em Deus, independente da religião que temos, quando manifestamos amor, caridade, elevação espiritual e mantemos o equilíbrio do nosso planeta na preservação dos ecossistemas e respeitando a todas as formas de vida (oferecer vida animal neste contexto não significa desrespeito).
Mas isso não nos exclui de pensarmos e repensarmos nossos mitos, ritos, tradições e cultos, mesmo que a prática não seja alterada, com certeza o sentido e o entendimento serão muito mais apurados e muito mais espiritualizados. Seremos e faremos gerações melhores como seres humanos, divinos e divinizados dentro da nossa religião.

Neste contexto, até mesmo um vegetariano pode sim ser iniciado no candomblé, passar pelos ritos sacralizadores com a menga/èjè, sem se sentir violado ou violando seu princípio pessoal, pois entendeu que a vida voltou a fluir da fonte, embora a forma tenha se doado para que ele se tornasse um membro legítimo de uma religião legítima que guarda a memória dos seus ancestrais e onde toda a vida é respeitada, por isso todas as formas de vida são à Deus oferecidas e se realizam juntamente com ele/ela naquele ato sagrado e de profundo amor e respeito.

Mba kukunda ngana Nzambi Mpungu!!!!! (Louvado seja Deus Todo Poderoso).

Tatá Ngunz’tala
Sacerdote do Candomblé de Angola (Ndanji Tumba Junsara).
Teólogo e Pedagogo.
francgunzo@gmail.com
61.8124.0946

quarta-feira, setembro 28, 2011

As identidades linguisticas no candomblé de Angola


Na revista acima (http://www.calameo.com/books/000835949286bd7380b05) na página 60, tem um artigo meu (As Identidades Lingüísticas no Candomblé de Angola)
Leiam, critiquem e opinem!
Essa revista está sendo lançada agora no Brasil.
Espero todas e todos no candomblé/kizomba/festa das crianças - Wungi - no dia 09/10, se Nzambi nos der, começando às 10h na nossa casa de Angola em Águas Lindas de Goiás.
Abraços!

Tata Ngunz'tala
http://associacaovidainteira.blogspot.com/
FOAFRO - DF e Entorno
61- 8124.0946

terça-feira, setembro 27, 2011

E viva as crianças!!!

Embora seja uma data atrelada a um calendário católico, os nossos antepassados se apoderaram também das idéias e festejos dos seus escravizadores, e deste “apoderamento” trouxeram os seus cultos, ritos e fé, até porque, ao que tudo parece, os africanos tidos como sem alma e inferiores, tinham uma maior capacidade de transcendência do que os que se consideravam "civilizados", pois souberam ver nos ritos, mitos, festejos, sacramentos e comemorações de outros povos, a manifestação do sagrado ancestral que traziam em suas mentes e corações.
Portanto, Viva as crianças!
Kiambotè Wungi!
Kiambotè Luango!
Kiambotè Mona Ndenge!
Mojubà ibeji!
Que este dia seja de alegria, independente dos acontecimentos externos.
E dia 09/10, estaremos festejando juntos esta manifestação divina tão importante, que faz o equilíbrio com o velho, mostrando que na vida tudo pode ser alegre e que até o velho pode virar criança e festejar, e a criança pode ser um velho e ensinar.

Tata Ngunz'tala
http://associacaovidainteira.blogspot.com/
FOAFRO - DF e Entorno
61- 8124.0946
62- 8222.8075

segunda-feira, setembro 26, 2011


Festa KafiotoDigite o resto do post aqui

quinta-feira, setembro 15, 2011

Setembro_2011


A cada quinze dias, as crianças encontram além das aulas de reforço, capoeira e percussão, um espaço de lazer e convívio em sociedade! Obrigado à todos que participam deste crescimento!!

Fim de Semana Setembro_2011Almoço comunitário com as crianças...momento único!!

segunda-feira, agosto 08, 2011

NOTA DE PESAR

É com tristeza que informamos aos irmãos e amigos, o falecimento de
Benzinho, Tata Kuxikaringoma Ncondiandembo – na manhã de hoje, estando
marcada a celebração do rito de passagem para as 09:00, de amanhã, na Ordem
3ª de São Francisco, na Quita dos Lázaros.
OBS.: O Tata Nkndiandembo era pai do nosso irmão Esmeraldo Emetério de
Santana Filho (Chuchuca).

Tata Nkondiandembu, o Benzinho, era um dos mais antigos que restavam do lado de cá da vida. Era uma referencia em candomblé e um dos arcanos da família Tumba Junçara. que recebeu o cargo e título de Tat'etu Kavungo de Tata NLundiamungo (Ciríaco, o fundador da família Tuba Junçara). E é pai do atual presidente da Associação Tumba Junçara, a quem muito devemos, e que também é Tata Muxikar'ngoma, da nossa casa mãe.

Então, é um momento histórico que a maioria dos mais novos não viram e nem conheceram. Mas que vai ficar na história da nossa família.

Que ele seja bem recebido no mundo dos ancestrais e divindades. Que os que ficam do lado de cá nunca esqueça da sua memória. Que os seus familiáres tenham o conforto da presença divina em nós....


A Nzo Jimona dia Nzambi se solidariza com a casa mãe e com os famíliares deste amado Tata que agora passa a ser mais um ancestral junto a Nzambi para interceder por nós.


Tata Ngunz'tala

sexta-feira, agosto 05, 2011

Sexta Feira - Salve Oxalá!

O mundo dos Orixás

Cada dia novo que amanhece,
traz a luz de pai Oxalá,
que ilumina as terras do mundo inteiro,
e embeleza o mar de mãe Iemanjá.
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Sopram os ventos de mãe Iansã,
que abraçam Xangô em sua pedreira.
Correm os rios de mãe Oxum,
e as crianças brincam á sua maneira.
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As matas de Oxossi ficam mais belas,
e novos caminhos Ogum nos oferece.
Na sua calunga Obaluaiê,
acolhe ou dá cura a quem merece.
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Exu se ri na encruzilhada,
e firma seu ponto com seu punhal,
e o aroma das rosas de Pombagira,
ensina a diferença do bem e do mal.
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Zambi segura o mundo nas mãos,
e fá-lo girar mais uma vez,
derramando nele seu amor divino,
e em toda a criação que um dia ele fez.
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Extrato da obra - Orixás em Poesia de Paulo Lourenço "Ramiro de Kali" Copyright © 2008

quinta-feira, agosto 04, 2011

A solidão sacerdotal

A palavra Sacerdote ou Sacerdotisa origina-se do latim Sacerdos - sagrado e otis -
representante, portanto "representante do sagrado". É uma pessoa autorizada por uma tradição religiosa para oficilizar ritos e cultos entre os humanos e uma ou várias divindades.

A ação sacerdotal é sempre em nome de um povo, por isso ele oficia o altar e age como
um mediador entre o divino e o humano.

É, em tese, uma instituição/constituição divina, portanto, não é só ter cumprido os ritos e recebido as ordenações necessárias previstas em sua religião para que se torne um verdadeiro sacerdote/sacerdotisa.
É ser algo que deve transcender à formalidade e a sua constituição/instituição e sempre a favor do humano diante da manifestação do sagrado. Não é somente estar habilitado formalmente para agir em nome de sua comunidade ou da humanidade, é preciso ter passado pela vocação, pelo chamado divino e se colocar neste lugar de maneira própria agindo apropriadamente para que seja o exemplo, acima de tudo, dos valores humanos e divinos que pretende representar.

É o servo dos servos da Divindade. Este é o verdadeiro papel do sacerdócio.

Não é assumir um trono e ser o Senhor, é ser o servo/serva dos seus semelhantes e
diferentes diante da Divindade que lhe convocou para este mistério. Muitas vezes é ser o próprio altar onde a chama deve arder para que o holocausto oferecido a Deus/Deusa seja aceito.

Sou um sacerdote do candomblé, convicto do meu chamado divino, embora esteja longe
de alcançar as exigências divinas e humanas que se impõe sobre minha condição, mas espero realmente crescer a ponto de ser fiel ao plano sagrado e às expectativas humanas como um representante da divindade, mas, mesmo falho, já sei o que significa a solidão sacerdotal.

Tenho o hábito de orar pelas pessoas e me colocar em situação para que a intuição flua e que as mais necessitadas de auxilio sejam buscadas pelas energias positivas geradas na oração.
A partir daí, escrevo mensagens via telefone móvel (torpedos) ou via mensagem eletrônica (e-mail), telefono, visito, etc.

Na grande maioria das vezes recebo mensagens de volta dizendo o quanto estavam
precisando daquelas palavras, como chegaram na hora certa, como, algumas vezes, até as salvaram de uma decisão difícil e irreversível.

Mas como sacerdote também tenho meus momentos de tristeza e de reflexão que trazem
a necessidade de reclusão, pois como humano que sou, sou muitas vezes atingido pelos
acontecimentos que nos cercam e até mesmo por desilusões e situações que nos entristece envolvendo as pessoas que estão sob nosso cuidado espiritual.

Sempre que me perguntam como estou, digo que estou feliz, como sempre, mas nem
sempre alegre. A felicidade é meu estado de espírito. Eu sou feliz por já ter alcançado o conhecimento e por ter a união e a manifestação da mente divina consciente em mim.

Felicidade não tem nada a ver com alegrias e tristezas.

Mas mesmo feliz sempre, e realizado como ser divino consciente, tenho momentos de
tristezas sim. Estes momentos podem ser desencadeados por situações normais e banais que podem ocorrer com todas as pessoas. Sacerdotes e Sacerdotisas não possuem foro privilegiado e não estão acima dos acontecimentos bons ou considerados ruins que fazem parte da existência deste ou do outro lado da vida.

Mesmo sabendo e tendo o conhecimento que todas as coisas estão sob o controle divino,
nem todas as coisas nos deixam alegres (embora não devam abalar nossa felicidade). Quando envolve o bem querer de pessoas que cuidamos e amamos como mediador religioso então...

Nos últimos dias senti necessidade de uma reclusão para repensar os meus atos e
entender muitas coisas. Desliguei o telefone celular, não acessei mensagens eletrônicas, só avisei para os mais íntimos que não se preocupassem comigo, pois estava bem, mas necessitando de um pouco mais de privacidade e de vivenciar a solidão sacerdotal.

E assim o fiz.

Consequentemente, mesmo mantendo o hábito de orar pelas pessoas, de pedir ao Deus
Pai e Mãe, Aquele que se revelou a nossos ancestrais e a nós, e que está acima de todos os nomes, formas e religiões pelas quais tenha se manifestado, não enviei mensagens animadoras nem os (re)lembrei do amparo e cuidado divino, nem os disse que são manifestações da consciência de Deus, portanto, devem seguir suas existências de acordo com o plano divino impresso em suas almas e ser feliz, independente de estarem alegres ou tristes, embora, como diz o poeta, “... é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a
luz no coração ....”

Assim curti os meus dias de solidão e de tristeza criativa e espiritual, onde pude ver muita possibilidade de melhora, muitos erros e acertos refazendo assim a minha proposta divina de crescimento e de ser (pelo menos tentar ser) um sacerdote de verdade e nunca me render à tentação do feiticeiro, aquele que usa o sagrado (seja em que estrutura religiosa for), para alcançar objetivos efêmeros e pessoais ou para servir a caprichos do ego próprio ou de outrem.

Pensei, rezei, orei, meditei, dormi, fiquei muito tempo sem me alimentar (nada de
autocomiseração nem autoflagelação), foi uma ação consciente, pois a minha fome era outra. E assim passou-se o período de reclusão e a luz do sol de repente começou a ficar mais colorida e quente, a chuva pareceu-me novamente ter mais significado do que simplesmente molhar a terra, as pessoas começaram a ser mais divinas do que falhas (como são de verdade), o trabalho começou a ter mais importância do que só o salário no final do mês, e cuidar de alguém se revestiram de verdades e de certezas de que o meu papel é reaproximar os humanos da Divindade Suprema em todas as suas formas de manifestação respeitando cada um no seu ritmo e compasso.

Assim se foram os dias de reclusão.

Quando religuei o aparelho celular e reabri as mensagens eletrônicas, voltando a
reencontrar as pessoas qual foi minha surpresa: a maioria, a grande maioria das mensagens ou falas era no seguinte sentido: o que aconteceu que não mandou mais mensagem? Esqueceu de mim?

Claro que tiveram as pessoas que se preocuparam, entenderam, e até silenciaram diante
do meu silencio, como solidariedade, com amor e cumplicidade entendendo o sacerdote como um humano igual e às vezes até mais fraco do que os outros humanos. Mas foram poucos e estes sabem quem são e que meu agradecimento é enorme e me tornei refém dos seus amores. Deliberadamente refém.

Mas a maioria queria somente saber por que as palavras de conforto e consolo cessaram
por um tempo. Não se preocuparam, ou se houve preocupação não souberam externá-la, com a pessoa do sacerdote. Quase ninguém perguntou “você está bem?”, “Precisando de alguma coisa?” ou “aconteceu algo que eu possa ajudar?”. Salvo as exceções já devidamente registradas e agradecidas, a grande maioria viu na oportunidade algo para cobrar o porquê não foram assistidas e cuidadas naqueles dias e momentos.

Pensei, meditei e entendi que o sacerdócio é algo realmente solitário, mas que quem o
abraça com felicidade e no centro do plano divino, se realiza, mesmo diante destes
acontecimentos. Sim, sentimos dores, mas as dores do mundo são maiores e se fomos chamados para sermos o servo/serva que vai aplicar o bálsamo divino, temos que estar prontos e saber relevar nossas dores e feridas, pois nós pelo menos sabemos que estamos cumprindo um desígnio divino que abraçamos também espontaneamente. Ou seja, cumprir a vontade divina é algo que nos realiza plenamente, mesmo tendo que parar de vez em quando para curar as próprias feridas, mesmo que seja uma cura solitária.

Também percebi que enquanto sentia minhas próprias dores, o mundo continuou
correndo e as dores dos que eu deveria ter cuidado continuaram doendo.

Lembrei do meu iniciador e pensei nas suas dores. Nas muitas que senti enquanto estava em sua companhia e nas muitas que deixei de sentir solidariamente, por já estar sentindo as dores dos que estão no caminho que me cabiam orientar. Por isso nunca julgo os mais velhos. Posso até não concordar com muitas coisas, mas eles têm o meu respeito, carinho e vibrações positivas.

Cheguei à conclusão que o ideal é que cada um seja seu próprio sacerdote ou sacerdotisa,afinal o Deus que mora em mim mora em você e o vento que sopra cá, sopra lá. Neste ponto de vista, o sacerdote/sacerdotisa seria simplesmente o oficializador do rito religioso de acordo com a tradição religiosa que professa, mas que cada um se representasse diante da divindade. É assim que pretendo agir e vejo que já vinha de certo modo agindo, mas agora será com mais consciência.

No candomblé a hierarquia é algo muito forte e faz parte dos pilares tradicionais da
religião, mesmo assim acredito que podemos (e devemos) conservar a hierarquia como respeito aos caminhos já percorridos pelos mais velhos jamais os colocando como substituto quando também somos um ser tão divino e tão capaz diante da divindade.

Ensinar as pessoas a serem emancipadas espiritualmente é o grande desafio de um
sacerdote ou sacerdotisa. Desafio este que a maioria das religiões instituídas e líderes religiosos dos cultos e ritos não querem e não estão dispostos a promover.

Convencer a pessoa que ela é uma manifestação de Deus plena, perfeita e capaz significa muitas vezes perder um fiel.

Embora eu acredite que uma pessoa que recebeu o caminho da libertação e teve a sua
identidade divina revelada, cultivada e incentivada, vai continuar nos ritos religiosos que lhe completam respeitando os oficiantes da sua tradição religiosa e sendo muito mais feliz, fazendo mais pessoas felizes. O que vai os unir é o sentimento de gratidão e respeito nunca de subserviência.

Este é o desafio!

Nem todas as pessoas estão preparadas para esta proposta. É muito mais fácil alguém
nos dizer que estamos errados ou certos, massagear o nosso ego ou a nossa capacidade de nos vitimizar do que dizer que somos capazes e responsáveis pelo nosso destino, pois somos a manifestação de Deus. O Deus/Deusa que se revela como Cristo, Buda, Orixá, Nkisi, Vodun, Divindades, etc., é o mesmo que se manifesta em mim e em você, mais isto exige posicionamento e responsabilidades pessoais e coletivas.

Ter um salvador ou um condenador é muito mais cômodo para toda uma gama de pessoas
que precisam da religião como muletas, pois ainda não estão prontas para caminhar com as próprias pernas e nem para se visualizarem como manifestação divina completa.

Ainda assim, o sacerdote/sacerdotisa não pode se esquivar de receber, cuidar e ajudar
estas pessoas que o/a buscam e que realmente ainda não estão prontas para serem os próprios representantes junto ao divino, junto ao trono de Deus que é a sua consciência divina.

Quando chegarmos a este ponto, seremos nossos próprios sacerdotes, e ainda ajudaremos
aos outros/outras, sem obrigatoriamente abrirmos mão da religião que abraçamos,identificamos ou do grupo que optamos amar, escolhemos ou fomos escolhidos para praticar a nossa espiritualidade e trilhar o caminho do sagrado. Amaremos ainda mais o líder (ou a líder) espiritual de nossa religião e nossos irmãos e irmãs de jornada, pois saberemos que a dor que dói em mim, dói nele/nela e o Deus que mora em mim, mora nele/nela. Faz-nos cúmplices até das fraquezas e isso evita exigências de sermos sempre agradados ou cuidados. Sentiremos a obrigação de também agradar e cuidar, além de entendermos quem ainda não chegou neste nível espiritual e agiremos sem julgamentos.

Deus não nos fez juízes de nossos semelhantes e diferentes, nem nos criou tão frágeis
para que sejamos o tempo todo cuidados e tratados com melindres.

Mas, mesmo assim, o desafio sacerdotal está em entender o momento e o estágio de cada
um que bate em sua porta, pois o que pode parecer um incentivo pode ser ouvido como um peso ainda muito grande e assim gerar desânimo ou revolta interna, porque o sacerdote, a quem a pessoa atribui o papel quase infalível e capaz de lhe conduzir espiritualmente, tenta mostrar o contrário, e lhe ensinar que ele pode caminhar quando ainda está tão fraco que nem sabe se tem pernas, ou se já as tem, não consegue visualizar o caminho a seguir.

Tem hora que mesmo sabendo e reconhecendo o outro/outra como pessoa divina e a
reconhecendo como capaz, temos que tomá-la nos braços e andar um pouco com ela, ou pelo menos doar o nosso ombro para que seja apoio, acender uma candeia para que o caminho se revele à sua frente ou até mesmo andar todo o caminho com ela.

Mesmo que este agir pareça extremamente solitário, vamos entendendo que sendo
sacerdotes/sacerdotisas podemos até não ter a companhia de quem queríamos, mas sempre
teremos a companhia de quem necessita desta forma nunca estaremos de fato só, mesmo que solitários em alguns momentos da vida e da caminhada.

Reafirmo o meu papel de sacerdote enquanto peço malembe/agô/perdão aos que batem
em minha porta e eu, na tentativa de fazer com que sejam fortes e caminhem, termino é
avultando ainda mais as dores de suas feridas existenciais.

Oportunamente, agradeço por serem parceiros/parceiras de caminhada e não me deixarem
sozinho, nem mesmo nos momentos de reclusão ou de solidão sacerdotal.

Agradeço pela paciência da leitura.

Francisco Ngunz’tala
Sacerdote do candomblé
francgunzo@gmail.com
61.8124.0946 (OI)
62. 8222.8075 (TIM)

quarta-feira, agosto 03, 2011

Convite


Festa de Tat'etu Ndembua (Nosso pai Tempo), na casa mãe da Família Tumba Junsara - Candomblé Angola.
Ladeira da Vila América nº 30, Avenida Vasco da Gama, atrás da Faculdade Vasco da Gama, Salvador - BA.